O setor agrícola do Sul do Brasil está em estado de alerta para os próximos meses. Diante da previsão de um fenômeno El Niño mais rigoroso, produtores rurais precisam preparar a terra para enfrentar um cenário intenso de chuvas, que devem provocar enxurradas e enchentes.
Segundo o engenheiro agrônomo da Cravil, Gentil Colla Júnior, a antecipação e o manejo correto do solo são as ferramentas mais eficazes para reduzir os impactos climáticos. "A principal preocupação deve ser o alto volume de chuvas associado à grande inclinação da região, o que aumenta muito o risco de enxurradas e erosão", alerta o especialista.
A principal recomendação técnica é o uso estratégico de coberturas de solo no inverno. “Essa prática funciona como um amortecedor natural, protegendo a estrutura física da terra contra o impacto direto da chuva. Isso impede o processo em que a enxurrada "lava" o solo, carregando partículas e nutrientes essenciais em direção aos córregos e rios”, explica.
De acordo com o engenheiro agrônomo, manter o solo devidamente coberto vai além de evitar a perda de terra, é uma garantia de sustentabilidade financeira. A prática protege a fertilidade e os nutrientes, assegurando que o potencial produtivo da propriedade se mantenha elevado, mesmo em anos de clima adverso. Por outro lado, deixar o solo exposto e vulnerável resulta em graves perdas estruturais e nutricionais que podem pesar no bolso do agricultor.
Diversificação de culturas
Embora o sistema de plantio direto seja amplamente indicado e consolidado para as culturas de sequeiro, o agrônomo da Cravil lembra que o manejo de inverno não precisa ficar limitado à aveia que é o mais comum, por exemplo. O produtor tem à disposição uma variedade de opções eficientes, tais como: Trigo, que sem mostra uma excelente alternativa comercial e de proteção. As leguminosas (como a ervilhaca), que são ótimas para a fixação de nitrogênio no solo. E o mix de cobertura, que é a combinação de diferentes espécies na mesma área.
“O uso de um "mix de cobertura" é altamente vantajoso, pois une plantas com diferentes sistemas radiculares. Enquanto algumas raízes rompem camadas compactadas profundas, outras criam uma rede superficial, estruturando o solo de forma completa”, detalha o engenheiro agrônomo.
Ainda de acordo com o agrônomo, o cenário atual, apesar de preocupante, mostra um setor consciente. “Há um movimento crescente e perceptível entre os produtores locais sobre a importância de implementar o plantio de inverno. Mais do que cuidar do presente, o agricultor entendeu que o manejo adotado agora é o que vai salvaguardar e garantir o sucesso das lavouras de verão”, finaliza.
A orientação da Cravil é clara: o clima não pode ser controlado, mas a proteção do solo sim. O planejamento deve começar o quanto antes.


